segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Comunidade de Tabapuazinho Resiste

Moradores do A comunidade de Tabapuazinho (localizado ao lado da fábrica Bonamezza, entre a BR 020 e BR 222) vem sendo agredida e intimidada constantemente.
No dia dezoito de outubro, um grupo de segurança privada que disse estar seguindo ordens da direção da fábrica agrediu um adolescente e ameaçou de morte outros moradores da comunidade.
Os seguranças, cerca de 10 homens, trazidos em uma Blazer, estavam fortemente armados e ordenavam que a comunidade se retirasse do local imediatamente. Durante a ofensiva, alem da violência física e das ameaças, foram destruídos barracos e utensílios domésticos.
Na mesma noite, o advogado da Bonamezza foi ao local juntamente com um grupo de policiais militares, sem qualquer ordem ou mandado judicial, com o objetivo de retirar de uma vez por todas os moradores.
A comunidade do Tabapuazinho é composta por cerca de cinqüenta pessoas, a maioria ex-moradores de áreas de risco. A área – antes da chegada de comunidade – era reconhecida por todos os moradores da vizinhança como "terreno baldio", que trazia insegurança à população. Naquele tempo, não havia nenhuma residência construída e muito menos atos de vigilância no local.
A comunidade informou que os agressores foram recrutados na região de Potira e que, segundo os moradores, estaria a serviço do grupo Bonamezza.
Durante todo o mês de setembro, a comunidade sofreu intimidações e agressões deste grupo armado liderado por policial militar. Ameaças diversas foram feitas tanto a alguns moradores quanto aos advogados do escritório Frei Tito.
Neste clima de pânico, residem na região um grande número de crianças e algumas mulheres grávidas, vivendo em condições precárias.
Como se não fosse suficiente, o juiz da quarta vara da comarca de Caucaia concedeu a liminar na ação de reintegração de posse para a fabrica Bonamezza, solicitando o despejo da comunidade.
Nas terra em questão, a fábrica, em nenhum momento conseguiu provar a posse e a sua função social, sem contar que a área em disputa pode ser reconhecida como território indígena.
A comunidade, disposta a lutar por seus direitos, não baixou a cabeça para aqueles que detêm o poder. No dia do cumprimento da ordem judicial, os que lá resistem se pintaram de índios, entoaram cânticos e toré junto a comunidade indígena dos Tapebas.
Com a resistência da comunidade a ordem de despejo não foi cumprida, pelo menos temporariamente.

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